{"id":101,"date":"2020-10-18T17:27:00","date_gmt":"2020-10-18T20:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/psicologacamilamazzanti.com.br\/site\/?p=101"},"modified":"2020-10-18T17:27:00","modified_gmt":"2020-10-18T20:27:00","slug":"a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psicologacamilamazzanti.com.br\/site\/?p=101","title":{"rendered":"A morte"},"content":{"rendered":"<p>A morte \u00e9 o est\u00e1gio final do desenvolvimento humano, sendo t\u00e3o natural como o nascer, todavia, esse assunto ainda causa tremendo mal estar.<\/p>\n<p>Sob o ponto de vista biol\u00f3gico a morte \u00e9 conceituada como o fim das atividades vitais do indiv\u00edduo, na medicina vigente, a cessa\u00e7\u00e3o da atividade cerebral. Por\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio considerar, al\u00e9m do aspecto puramente anat\u00f4mico, que a morte \u00e9 um fen\u00f4meno progressivo com implica\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas e sociais tanto para o indiv\u00edduo quanto para aqueles ao seu redor.<\/p>\n<p>As emo\u00e7\u00f5es evocadas a partir da morte s\u00e3o chamadas de luto, uma experi\u00eancia que evidencia a inevitabilidade e irreversibilidade da morte, relembrando-nos de nossa condi\u00e7\u00e3o mortal. Esse processo nos obriga a entrar em contato com muitas ang\u00fastias, o que torna natural o movimento humano de evita\u00e7\u00e3o desses sentimentos e at\u00e9 a pr\u00f3pria evita\u00e7\u00e3o da morte.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o da medicina propiciou uma\u00a0 mudan\u00e7a no aspecto cultural da morte, o que anteriormente acontecia no conforto da casa da indiv\u00edduo, com seus familiares ao redor agora acontece em um ambiente cheio de desconhecidos, m\u00e1quinas, tubos acoplados, restri\u00e7\u00f5es alimentares e comida insossa &#8211; o hospital. Essas caracter\u00edsticas do hospital contribuem para uma despersonaliza\u00e7\u00e3o do paciente que deixa de ter o pr\u00f3prio nome e passa a ser um n\u00famero de\u00a0 leito\u00a0 ou\u00a0 ent\u00e3o\u00a0 algu\u00e9m\u00a0 que\u00a0 porta\u00a0 determinada\u00a0 patologia. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 controverso que a institui\u00e7\u00e3o que tem todos os recursos para lutar pela vida do paciente seja a que mais o desumaniza nesse processo.<\/p>\n<p>Toda a mecaniza\u00e7\u00e3o do hospital contribui ainda mais para uma viv\u00eancia de luto distante e superficial o que n\u00e3o ocorria nos tempos antigos, quando se morria em casa em um longo processo de despedida dos amigos e fam\u00edlia, nem mesmo as crian\u00e7as eram deixadas de fora. O contato com a morte era natural, progressivo e real.<\/p>\n<p>A modernidade, num geral, n\u00e3o tolera o sofrimento e o associa \u00e0 baixa produtividade e a falta de capacidade para lidar com seus sentimentos. Quanto aos enlutados, \u00e9 preciso que lhes seja permitido viver e ressignificar a dor da perda, o que \u00e9 violentamente vetado pela sociedade ocidental contempor\u00e2nea, com baixa toler\u00e2ncia \u00e0s express\u00f5es vinculadas \u00e0 tristeza, frustra\u00e7\u00e3o e perda.<\/p>\n<p>At\u00e9 quando vamos evitar falar de morte? Vamos negar e evitar o processo natural de finitude at\u00e9 que aconte\u00e7a conosco? Vamos esconder a verdade de crian\u00e7as falando que \u201cmais uma estrela chegou ao c\u00e9u\u201d? Temos que colocar em mente que \u00e9 natural que o luto seja um sentimento inc\u00f4modo, uma pessoa muito querida n\u00e3o est\u00e1 mais neste mundo e isso d\u00f3i. Precisamos aceitar que cada um vai levar o tempo que for necess\u00e1rio para elaborar essa perda e quanto mais se nega, mais a ang\u00fastia vai se perpetuar.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n\n<p>ALMEIDA, Fabiane de Amorim. Lidando com a morte e o luto por meio do brincar: a crian\u00e7a com c\u00e2ncer no hospital.<strong> Bol. psicol<\/strong>,\u00a0 S\u00e3o Paulo ,\u00a0 v. 55, n. 123, p. 149-167, dez.\u00a0 2005 .\u00a0\u00a0 Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0006-59432005000200003&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. acessos em\u00a0 04\u00a0 jun.\u00a0 2019.<\/p>\n\n<p>FREITAS, Joanneliese de Lucas. Luto e fenomenologia: uma proposta compreensiva.<strong>Rev. abordagem gestalt.<\/strong>,\u00a0 Goi\u00e2nia ,\u00a0 v. 19, n. 1, p. 97-105, jul.\u00a0 2013 .\u00a0\u00a0 Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1809-68672013000100013&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. acessos em\u00a0 04\u00a0 jun.\u00a0 2019.<\/p>\n\n<p>Mazorra, Luciana. A constru\u00e7\u00e3o de significados atribu\u00eddos \u00e0 morte de um ente querido e o processo de luto. 2009. 265 f. Tese (Doutorado em Psicologia) &#8211; Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, 2009.<\/p>\n\n<p>Magalh\u00e3es, M., &amp; Melo, S. (2015). MORTE E LUTO: o sofrimento do profissional da sa\u00fade. <em>Psicologia E Sa\u00fade Em Debate<\/em>, <em>1<\/em>(1), 65-77. Recuperado de http:\/\/psicodebate.dpgpsifpm.com.br\/index.php\/periodico\/article\/view\/7<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte \u00e9 o est\u00e1gio final do desenvolvimento humano, sendo t\u00e3o natural como o nascer, todavia, esse assunto ainda causa tremendo mal estar. Sob o ponto de vista biol\u00f3gico a morte \u00e9 conceituada como o fim das atividades vitais do indiv\u00edduo, na medicina vigente, a cessa\u00e7\u00e3o da atividade cerebral. 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