{"id":118,"date":"2020-11-15T18:01:19","date_gmt":"2020-11-15T21:01:19","guid":{"rendered":"http:\/\/psicologacamilamazzanti.com.br\/site\/?p=118"},"modified":"2020-11-15T18:01:19","modified_gmt":"2020-11-15T21:01:19","slug":"afeto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/psicologacamilamazzanti.com.br\/site\/?p=118","title":{"rendered":"Afeto"},"content":{"rendered":"<p>Hoje sabemos que a afetividade exerce um papel important\u00edssimo em todas as rela\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de influenciar decisivamente a percep\u00e7\u00e3o, o sentimento, a mem\u00f3ria, a autoestima, o pensamento, a vontade e as a\u00e7\u00f5es, e ser, assim, um componente essencial da harmonia e do equil\u00edbrio da personalidade humana.<\/p>\n<p>Todos somos permeados por mem\u00f3rias afetivas que afetam nossas decis\u00f5es. Quem nunca lembrou daquela comida espec\u00edfica que s\u00f3 a av\u00f3 fazia nos almo\u00e7os de fam\u00edlia e sentiu o cora\u00e7\u00e3o aquecido? Ou pegou alguma roupa de inf\u00e2ncia de um filho, que hoje \u00e9 adulto, e se lembrou de todo o percurso que ele teve?<\/p>\n<p>Se o afeto tem um papel t\u00e3o extraordin\u00e1rio na vida de um ser humano adulto, seu impacto na vida das crian\u00e7as \u00e9 imensamente maior, visando sua fragilidade, tanto f\u00edsica como ps\u00edquica.<\/p>\n<p>O senso comum sabe que h\u00e1 um ineg\u00e1vel v\u00ednculo da m\u00e3e com seu beb\u00ea, que \u00e9 descrito como \u201camor de m\u00e3e\u201d, no entanto, em um \u00e2mbito mais cient\u00edfico, a psicologia do desenvolvimento infantil buscou explicar a import\u00e2ncia do primeiro ano de vida no desenvolvimento de uma crian\u00e7a. O beb\u00ea humano, diferente dos filhotes de outras esp\u00e9cies, nasce completamente dependente de cuidados de um adulto (filhotes de diferentes esp\u00e9cies por exemplo j\u00e1 nascem andando sem precisarem de ajuda). Essa depend\u00eancia tem uma fun\u00e7\u00e3o evolutiva e instaura a necessidade do afeto e do v\u00ednculo da crian\u00e7a com sua m\u00e3e ou cuidador principal.<\/p>\n<p>John Bowlby desenvolveu a teoria do apego que considera que o apego \u00e9 decorrente de um programa inato presente em todos os primatas e que tem por fun\u00e7\u00e3o aumentar as chances de prote\u00e7\u00e3o e de sobreviv\u00eancia do rec\u00e9m-nascido. Essa prote\u00e7\u00e3o baseia-se essencialmente na proximidade f\u00edsica e no contato entre m\u00e3e (ou a figura que ocupe essa fun\u00e7\u00e3o materna) e beb\u00ea nos primeiros anos de vida. Se esse esquema de prote\u00e7\u00e3o- cuja base \u00e9 o apego, ou v\u00ednculo- n\u00e3o se desenvolve bem, graus variados de dist\u00farbios ps\u00edquicos e mesmo f\u00edsicos podem advir. A caracter\u00edstica principal das crian\u00e7as que sofreram car\u00eancia ou priva\u00e7\u00e3o nesse v\u00ednculo primordial, \u00e9 de ter uma capacidade muito reduzida de respostas adequadas, tanto no plano social quanto no plano emocional.<\/p>\n<p>Outro te\u00f3rico, Ren\u00e9 Spitz, trabalhando em um orfanato, observou que os beb\u00eas que eram alimentados e vestidos, mas n\u00e3o recebiam afeto, nem eram segurados no colo ou embalados, apresentavam a s\u00edndrome por ele denominada hospitalismo. Esses beb\u00eas tinham dificuldades no seu desenvolvimento f\u00edsico, faltava-lhes apetite, n\u00e3o ganhavam peso e, com o tempo, perdiam o interesse por se relacionar, o que levava a maioria dos beb\u00eas ao \u00f3bito. Portanto, chegou-se a conclus\u00e3o que o afeto \u00e9 fator determinante no desenvolvimento.<\/p>\n<p>Em estudos longitudinais constatou-se que: \u201ccrian\u00e7as que cometeram diversos crimes, que pareciam n\u00e3o ter nenhum sentimento por ningu\u00e9m e com as quais eram muito dif\u00edcil lidar, tinham tido um relacionamento profundamente perturbado com a m\u00e3e nos primeiros anos de vida.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio esclarecer que as crian\u00e7as que n\u00e3o tem m\u00e3e, n\u00e3o est\u00e3o condenadas a um fim terr\u00edvel, a palavra \u201cm\u00e3e\u201d \u00e9 utilizada para facilidade, por\u00e9m qualquer pessoa que ocupe essa \u201cfun\u00e7\u00e3o materna\u201d poder\u00e1 suprir os percal\u00e7os do desenvolvimento, basta que fa\u00e7a com afeto, grande tem\u00e1tica do nosso artigo de hoje.<\/p>\n<p>Na nossa discuss\u00e3o do afeto adentramos a desenvolvimento infantil, para compreender o in\u00edcio das vincula\u00e7\u00f5es afetivas. Crian\u00e7as viram adultos e dependendo de como se desenvolveram se tornam mais ou menos saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Para que se desenvolvam de forma saud\u00e1vel \u00e9 preciso um v\u00ednculo afetivo de qualidade com o adulto cuidador. Essa crian\u00e7a poder\u00e1 explorar o mundo e confiar que ter\u00e1 ajuda desse adulto se precisar.<\/p>\n<p>Fica evidente ent\u00e3o a repercuss\u00e3o do afeto nas rela\u00e7\u00f5es humanas, o que evoca a reflex\u00e3o: Como podemos contribuir para que o nosso cotidiano seja mais rodeado de afeto positivo?<\/p>\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n<p>BOWLBY, John. Forma\u00e7\u00e3o e rompimento dos la\u00e7os afetivos. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1982.<\/p>\n<p>LOOS, Helga; SANT&#8217;ANA, Ren\u00e9 Simonato. Cogni\u00e7\u00e3o, afeto e desenvolvimento humano: a emo\u00e7\u00e3o de viver e a raz\u00e3o de existir.<strong> Educ. rev.<\/strong>,\u00a0 Curitiba ,\u00a0 n. 30, p. 165-182,\u00a0\u00a0\u00a0 2007 .\u00a0\u00a0 Available from &lt;http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0104-40602007000200011&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;. access on\u00a0 21\u00a0 Oct.\u00a0 2019.\u00a0 <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/S0104-40602007000200011\">http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/S0104-40602007000200011<\/a>.<\/p>\n<p>Lopes, Maria Madalena de Freitas. Psican\u00e1lise e Representa\u00e7\u00e3o: a teoria de Ren\u00e9 Spitz e a organiza\u00e7\u00e3o ps\u00edquica. Brazilian Journal of Health, Vol. 1, No 3 (1)<\/p>\n<p>Spitz R 1945.<em>Hospitalism: an inquiry into the genesis of psychiatric conditions in early childhood<\/em> (1):53-75. Psychoanal Study Child. Imago, Londres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje sabemos que a afetividade exerce um papel important\u00edssimo em todas as rela\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de influenciar decisivamente a percep\u00e7\u00e3o, o sentimento, a mem\u00f3ria, a autoestima, o pensamento, a vontade e as a\u00e7\u00f5es, e ser, assim, um componente essencial da harmonia e do equil\u00edbrio da personalidade humana. 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